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Quando o elo fraco está fora da empresa: como o risco digital se esconde em APIs, SaaS e fornecedores

  • Setrix Segurança em Tecnologia da Informação
  • 17 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 10 de dez. de 2025

Durante muito tempo, a cibersegurança corporativa se concentrou nas fronteiras internas: servidores, endpoints, usuários e senhas. 

 

Mas o mapa de risco mudou. Hoje, a superfície de ataque se estende por integrações invisíveis, APIs que conectam sistemas, e dezenas de fornecedores SaaS que têm acesso direto a dados corporativos. 

 

O problema é que boa parte dessas conexões não passa pelo radar do time de segurança. 

E é justamente aí que o próximo incidente pode começar. 

 

O novo vetor invisível: integrações e terceiros 

 

De acordo com o State of API Security 2025, mais de 60% das empresas sofreram incidentes envolvendo APIs no último ano, e 91% admitem não ter visibilidade completa sobre o que está conectado ao seu ambiente. 

 

Essa lacuna não é apenas técnica, é estrutural. Cada API exposta, cada aplicativo conectado ao Microsoft 365, Salesforce ou Google Workspace representa um ponto de entrada potencial para o atacante. 

 

E os cibercriminosos já perceberam isso. 

 

Em 2025, campanhas como as do grupo UNC6395 exploraram integrações legítimas de apps SaaS para roubar dados e tokens de autenticação. 


Outros casos emblemáticos, como os incidentes recentes da Air France/KLM, Stellantis e do Commvault Metallic, mostraram que um erro em um único fornecedor pode ter efeito cascata em milhares de empresas. 

 

Na Europa, o relatório ENISA Threat Landscape 2025 estima que 1 em cada 10 incidentes graves esteja relacionado à cadeia de suprimentos digital. 

 

E esse percentual cresce a cada trimestre. 

 

APIs e SaaS: o tecido invisível das operações 

 

O avanço das integrações SaaS e o modelo “plug and play” criaram uma teia de conexões que poucos gestores conseguem mapear. 

 

Ferramentas de CRM, marketing, ERP e colaboração estão conectadas entre si por meio de APIs, muitas vezes sem autenticação forte, sem expiração de tokens e com privilégios amplos por padrão. 

 

Cada uma dessas conexões amplia a superfície de ataque, e quando uma delas é comprometida, o invasor entra pela porta dos fundos, muitas vezes com credenciais válidas, sem disparar alertas de firewall ou EDR. 

 

Não é coincidência que a maioria dos ataques recentes de supply chain não envolva o alvo principal, mas um parceiro vulnerável. 

 

Esse é o novo perímetro corporativo: difuso, fragmentado e frequentemente fora do controle direto da empresa. 

 

O desafio da gestão de terceiros 

 

A maioria das empresas faz due diligence de fornecedores apenas no momento da contratação. 

 

Mas segurança não é uma fotografia, é um filme em tempo real. 

 

O fornecedor que era seguro no ano passado pode ter sofrido uma violação hoje. 

 

Por isso, modelos modernos de C-SCRM (Cyber Supply Chain Risk Management), definidos pelo NIST SP 800-161, propõem uma visão contínua: 

 

  • Monitorar a postura de segurança dos fornecedores críticos; 

 

  • Revisar permissões e escopos de acesso a APIs; 

 

  • Exigir práticas mínimas de autenticação e resposta a incidentes; 

 

  • E definir cláusulas contratuais específicas sobre comunicação de violações. 

 

Além disso, é preciso estender o Zero Trust aos terceiros. 

 

Isso significa limitar privilégios, segmentar dados e aplicar autenticação contextual em todas as conexões externas. 

 

Cada token, cada app e cada integração devem ser tratados como potenciais vetores. 

 

O papel da monitoração contínua 

 

O modelo tradicional de auditoria anual não funciona mais. 

 

A velocidade das ameaças exige monitoramento automatizado e contínuo. 

 

Ferramentas de SSPM (SaaS Security Posture Management) e API Security já permitem: 

 

  • Descobrir apps conectados sem aprovação (“shadow SaaS”); 

 

  • Mapear permissões excessivas e tokens de alto risco; 

 

  • Detectar comportamentos anômalos de chamadas API; 

 

  • E acionar alertas antes que o vazamento ocorra. 

 

Da mesma forma, dashboards de risco de fornecedores e plataformas de scorecard de segurança ajudam a enxergar rapidamente quando um parceiro se torna vulnerável. 

 

Quando essa visibilidade é integrada ao MDR/XDR, o ciclo se completa: ameaças identificadas externamente passam a gerar resposta imediata, sem depender de relatórios ou auditorias. 

 

Como transformar o ponto cego em vantagem competitiva 

 

O novo desafio das empresas não é apenas reagir a incidentes, mas antecipar vulnerabilidades em toda a cadeia digital. 

 

O verdadeiro diferencial competitivo está em ter visibilidade total do ecossistema de parceiros e agir antes que um incidente em terceiro lugar afete a sua operação. 

 

Essa abordagem traz um efeito duplo: 

 

Reduz risco operacional e regulatório, especialmente diante da LGPD e de cláusulas contratuais de confidencialidade. 

 

Fortalece a reputação corporativa, demonstrando governança e responsabilidade no relacionamento com fornecedores e clientes. 

 

O elo mais vulnerável da sua cibersegurança pode estar fora do seu firewall. 

 

Ele pode ser um aplicativo SaaS que ninguém monitora, uma API esquecida em produção, ou um fornecedor com práticas defasadas. 

 

No novo cenário digital, segurança é uma rede interdependente, e ela só é tão forte quanto o elo mais fraco. 

 

Proteger a sua cadeia digital é mais do que uma obrigação técnica: é um pilar estratégico de resiliência. 

 

A Setrix oferece um portfólio de soluções apoiado por uma gama de serviços de cibersegurança ofensiva que oferecerão visibilidade, resiliência e proteção contínua das conexões que sustentam o seu negócio. 

 

Fontes 

 

Salt Security – State of API Security 2025 

 

ReversingLabs – The 2025 Software Supply Chain Security Report 

 

SecurityScorecard – Supply Chain Trends 2025 

 

ENISA Threat Landscape 2025 

 

FBI FLASH – UNC6395/UNC6040 Salesforce Integrations (set/2025) 

 

TechRadar – Commvault Metallic breach (ago/2025) 

 

NIST SP 800-161 Rev.1 – Cyber Supply Chain Risk Management Framework (2024–2025) 

 

 
 
 

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