Awareness em 2026: treinar menos, medir comportamento e corrigir processo
- Setrix Segurança em Tecnologia da Informação
- há 1 dia
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Existe um erro conceitual que acompanha programas de security awareness há anos: tratar conscientização como transferência de conhecimento.
Como se o problema fosse falta de informação. Como se bastasse explicar melhor.
Em 2026, esse modelo não se sustenta mais. Não porque as pessoas “não aprendem”, mas porque erro humano não é exceção. É parte normal de qualquer sistema sob pressão.
A pergunta relevante deixou de ser “quem clicou?”. Passou a ser: como a organização reage quando alguém erra?
O erro humano não é uma falha moral. É variável operacional.
Ambientes corporativos modernos operam sob: excesso de estímulo, múltiplos canais de comunicação, pressão por velocidade e decisões distribuídas.
Nesse contexto, erros acontecem, de forma previsível.
Tratar isso como fraqueza individual é confortável, mas improdutivo. O risco real não está no erro em si, e sim em não projetar o ambiente para absorvê-lo, detectá-lo e reagir rapidamente.
Awareness madura parte dessa premissa:
pessoas erram; sistemas precisam estar preparados para isso.
Awareness não é treinamento. É engenharia de comportamento.
O treinamento responde à pergunta errada: “as pessoas sabem o que fazer?”
O que realmente importa é outra coisa:
As pessoas conseguem fazer o certo sob pressão?
O caminho seguro é o mais fácil?
O report é simples ou burocrático?
Há retorno quando alguém age corretamente?
Awareness, nesse sentido, funciona como engenharia de comportamento organizacional: pequenos reforços no momento certo, fricção reduzida para reportar, feedback rápido e correçãode processo quando padrões de erro se repetem.
Não é sobre formar especialistas em segurança. É sobre criar reflexos coletivos.
O que medir muda tudo
Programas de awareness falham quando medem apenas participação: quem fez o curso, quem “passou” no teste.
Programas maduros medem comportamento em situação real.
Algumas métricas fazem toda a diferença:
Tempo de report
Quanto tempo passa entre a exposição inicial e o aviso ao time de segurança? Esse intervalo define se um incidente vira ruído ou crise.
Taxa de report
Quantas pessoas reportam algo suspeito, mesmo quando não têm certeza? Reportar é o comportamento desejado, não “acertar”.
Taxa de recorrência
Os mesmos padrões de erro se repetem?
As mesmas áreas?
Os mesmos fluxos?
Aqui o foco não é o indivíduo, mas o processo que induz ao erro.
Ruído operacional
Quantos reports viram falso positivo? Quanto tempo o SOC leva para triar?
Awareness eficiente aumenta reports, e isso precisa ser absorvido pela operação, não virargargalo.
Essas métricas transformam awareness em instrumento de gestão, não em campanha educativa.
Quando awareness não conversa com o SOC, ela não protege
Existe um limite claro para programas isolados de conscientização: eles param no clique.
A partir dali, tudo depende da capacidade operacional.
Em 2026, awareness só vira segurança de verdade quando: o report do usuário entra como sinalno SOC, a triagem é rápida e proporcional e a resposta fecha o ciclo (contenção, ajuste, aprendizado).
O usuário não é a última linha de defesa. Ele é uma fonte de detecção antecipada.
Quando o SOC/MDR trata reports como ruído, o programa morre. Quando ele trata como telemetria humana, o ambiente aprende.
Corrigir processo é mais eficaz do que repetir treinamento
Um dos maiores desperdícios em awareness é repetir o mesmo treinamento para o mesmo problema.
Quando as métricas mostram recorrência, o erro raramente está na falta de conscientização. Ele costuma estar em: fluxos confusos, validações fracas, processos que priorizam velocidade sobre verificação e incentivos que punem quem “atrasar” a operação.
A resposta madura não é “treinar de novo”. É ajustar o processo que torna o erro provável.
Awareness não substitui governança. Ela revela onde a governança falha.
O papel real da liderança
Nenhum programa de awareness sobrevive se a liderança trata segurança como obstáculo.
As pessoas aprendem menos com cartilhas e mais com sinais claros: o que é valorizado, o que é tolerado, e o que é corrigido.
Quando reportar um possível problema gera apoio, e não repreensão, o comportamento muda. Quando errar vira motivo de exposição, o silêncio vence.
Awareness eficaz não nasce do medo. Nasce de confiança bem governada.
Erro humano é previsível. Ignorá-lo é que é falha de gestão.
Em 2026, insistir em awareness como treinamento isolado é manter um teatro de compliance.
O caminho mais eficaz é outro: aceitar o erro como parte do sistema, medir comportamento real, integrar com resposta, e corrigir processos recorrentes.
Awareness madura não promete eliminar erros. Ela promete reduzir impacto, acelerar reação e tornar o ambiente mais resiliente.
E isso não é uma decisão pedagógica. É uma decisão de gestão de risco.
Fontes
NIST SP 800-50 Rev. 1 (2024) — Building an Information Technology Security Awareness and Training Program
CISA — FY 2024 IG FISMA Metrics Evaluation Guide
Microsoft Learn — Configurar o recurso de reporte de mensagens por usuários
Microsoft Learn — Attack Simulation Training: Insights/Reports
Microsoft Learn — Phishing triage




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