top of page

Awareness em 2026: treinar menos, medir comportamento e corrigir processo

  • Setrix Segurança em Tecnologia da Informação
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Existe um erro conceitual que acompanha programas de security awareness há anos: tratar conscientização como transferência de conhecimento.

 

Como se o problema fosse falta de informação. Como se bastasse explicar melhor.

 

Em 2026, esse modelo não se sustenta mais. Não porque as pessoas “não aprendem”, mas porque erro humano não é exceção. É parte normal de qualquer sistema sob pressão.

 

A pergunta relevante deixou de ser “quem clicou?”. Passou a ser: como a organização reage quando alguém erra?


O erro humano não é uma falha moral. É variável operacional.

 

Ambientes corporativos modernos operam sob: excesso de estímulo, múltiplos canais de comunicação, pressão por velocidade e decisões distribuídas.

 

Nesse contexto, erros acontecem, de forma previsível.

 

Tratar isso como fraqueza individual é confortável, mas improdutivo. O risco real não está no erro em si, e sim em não projetar o ambiente para absorvê-lo, detectá-lo e reagir rapidamente.

 

Awareness madura parte dessa premissa:

 

pessoas erram; sistemas precisam estar preparados para isso.


Awareness não é treinamento. É engenharia de comportamento.

 

O treinamento responde à pergunta errada: “as pessoas sabem o que fazer?”

 

O que realmente importa é outra coisa:

 

As pessoas conseguem fazer o certo sob pressão?

 

O caminho seguro é o mais fácil?

 

O report é simples ou burocrático?

 

Há retorno quando alguém age corretamente?

 

Awareness, nesse sentido, funciona como engenharia de comportamento organizacional: pequenos reforços no momento certo, fricção reduzida para reportar, feedback rápido e correçãode processo quando padrões de erro se repetem.

 

Não é sobre formar especialistas em segurança. É sobre criar reflexos coletivos.


O que medir muda tudo

 

Programas de awareness falham quando medem apenas participação: quem fez o curso, quem “passou” no teste.

 

Programas maduros medem comportamento em situação real.

 

Algumas métricas fazem toda a diferença:


Tempo de report

 

Quanto tempo passa entre a exposição inicial e o aviso ao time de segurança? Esse intervalo define se um incidente vira ruído ou crise.


Taxa de report

 

Quantas pessoas reportam algo suspeito, mesmo quando não têm certeza? Reportar é o comportamento desejado, não “acertar”.


Taxa de recorrência

 

Os mesmos padrões de erro se repetem?

As mesmas áreas?

Os mesmos fluxos?

 

Aqui o foco não é o indivíduo, mas o processo que induz ao erro.

 

Ruído operacional

 

Quantos reports viram falso positivo? Quanto tempo o SOC leva para triar?

 

Awareness eficiente aumenta reports, e isso precisa ser absorvido pela operação, não virargargalo.

 

Essas métricas transformam awareness em instrumento de gestão, não em campanha educativa.

 

Quando awareness não conversa com o SOC, ela não protege

 

Existe um limite claro para programas isolados de conscientização: eles param no clique.

 

A partir dali, tudo depende da capacidade operacional.

 

Em 2026, awareness só vira segurança de verdade quando: o report do usuário entra como sinalno SOC, a triagem é rápida e proporcional e a resposta fecha o ciclo (contenção, ajuste, aprendizado).

 

O usuário não é a última linha de defesa. Ele é uma fonte de detecção antecipada.

 

Quando o SOC/MDR trata reports como ruído, o programa morre. Quando ele trata como telemetria humana, o ambiente aprende.


Corrigir processo é mais eficaz do que repetir treinamento

 

Um dos maiores desperdícios em awareness é repetir o mesmo treinamento para o mesmo problema.

 

Quando as métricas mostram recorrência, o erro raramente está na falta de conscientização. Ele costuma estar em: fluxos confusos, validações fracas, processos que priorizam velocidade sobre verificação e incentivos que punem quem “atrasar” a operação.

 

A resposta madura não é “treinar de novo”. É ajustar o processo que torna o erro provável.

 

Awareness não substitui governança. Ela revela onde a governança falha.


O papel real da liderança

 

Nenhum programa de awareness sobrevive se a liderança trata segurança como obstáculo.

 

As pessoas aprendem menos com cartilhas e mais com sinais claros: o que é valorizado, o que é tolerado, e o que é corrigido.

 

Quando reportar um possível problema gera apoio, e não repreensão, o comportamento muda. Quando errar vira motivo de exposição, o silêncio vence.

 

Awareness eficaz não nasce do medo. Nasce de confiança bem governada.


Erro humano é previsível. Ignorá-lo é que é falha de gestão.

 

Em 2026, insistir em awareness como treinamento isolado é manter um teatro de compliance.

 

O caminho mais eficaz é outro: aceitar o erro como parte do sistema, medir comportamento real, integrar com resposta, e corrigir processos recorrentes.

 

Awareness madura não promete eliminar erros. Ela promete reduzir impacto, acelerar reação e tornar o ambiente mais resiliente.

 

E isso não é uma decisão pedagógica. É uma decisão de gestão de risco.


Fontes

 

NIST SP 800-50 Rev. 1 (2024) — Building an Information Technology Security Awareness and Training Program

 

CISA — FY 2024 IG FISMA Metrics Evaluation Guide

 

Microsoft Learn — Configurar o recurso de reporte de mensagens por usuários

 

Microsoft Learn — Attack Simulation Training: Insights/Reports

 

Microsoft Learn — Phishing triage





 
 
 

Comentários


Tel: (47) 3025-7400

Av. João Colin, 1285 - Sala 03 - América
Joinville, SC - CEP 89204-001

  • Facebook
  • Instagram
  • LinkedIn

©2022 Setrix.
Todos os direitos reservados

bottom of page